Chama-se Praça e é o projeto vencedor do concurso lançado pela Startup Lisboa para a exploração da área de comércio e serviços do Hub Criativo do Beato. Este primeiro mercado alimentar dedicado à excelência dos produtos portugueses e dos seus produtores, vai abrir portas em 2021.

Quando lançou o concurso em 2018 a Startup Lisboa estava à procura de novos e inovadores conceitos de restauração e comércio integrados num projeto global… e a Praça respondeu. Agora, 2 edifícios do Hub Criativo do Beato com uma área de 1700m2: uma antiga Fábrica de Carnes – onde no passado se encontrava o Matadouro, o Talho, a Salsicharia e o Refeitório do pessoal civil da Manutenção Militar – e um antigo Edifício Administrativo e Oficina, vão dar lugar a uma nova e inovadora experiência de retalho alimentar e restauração focada nos produtos portugueses e nos produtores que os produzem. 

A Praça será, nas palavras da fundadora, “um espaço informal de convívio para provar, comer, comprar e aprender ao mesmo tempo”. Neste mercado, que combina o melhor da restauração sustentável e saudável com a venda do produto, não há fronteira entre o que se come e o que se compra, o produto será o protagonista e o Produtor estará no centro da oferta. O conceito nasceu precisamente com o propósito de reforçar a identidade do que é nacional e levar os portugueses a consumir o que é português. Para isso foi feita uma seleção, cuidada e rigorosa de produtos frescos, biológicos e artesanais, resultante de uma procura por aquilo que de melhor produzem os pequenos e médios produtores nacionais. Estes produtos, além de estarem disponíveis para compra serão também utilizados nos vários espaços de restauração que o mercado vai integrar, todos baseados numa cozinha de confeção simples, genuína e regional. Com o propósito claro de voltar a ligar consumidores, produtores e produtos, a Praça assume-se também como um “espaço contador de histórias”: aqui conhece-se a origem do produto e sobretudo a paixão de quem o produz e é com esta ligação direta e transparente que se pretendem criar relações tão sérias quanto saudáveis.

Dos vários serviços que vão integrar este projeto destacam-se um Refeitório, – uma reconstituição do antigo refeitório da Manutenção Militar com uma cozinha aberta dedicada ao produto- um Talho de carnes autóctones portuguesas, uma Peixaria com grelha, um mercado de produtos frescos, um espaço vegetariano, uma Adega, um espaço dedicado ao Azeite, uma Padaria e Pastelaria de produção local, uma Queijaria e Charcutaria artesanal e ainda uma Mercearia onde o granel e a oferta biológica têm protagonismo. Do universo de serviços da Praça constam ainda um Fórum, que funcionará como um ponto de encontro entre os produtores nacionais e o público, uma Escola – exatamente no mesmo edifício onde, em tempos da Manutenção Militar também existiu – dedicada à aprendizagem e partilha de conhecimentos de temas relacionados com a alimentação, sustentabilidade, cozinha portuguesa e ainda um espaço dedicado a Startups portuguesas ligadas ao sector da gastronomia.

Segundo Miguel Fontes, Diretor Executivo da Startup Lisboa, a entidade responsável pelo projeto do Hub Criativo do Beato, “Sempre foi nossa intenção que os serviços estivessem completamente alinhados com o conceito global do HCB, nomeadamente, que pudéssemos vir a selecionar uma proposta inovadora, diferenciada e capaz de servir os diferentes tipos de perfis que coabitarão neste espaço.”

Compromisso e Sustentabilidade do Projeto

Além da oferta de produtos e serviços que faz da Praça um espaço de lazer e conveniência, o projeto nasce também com 3 fortes compromissos essenciais: sustentabilidade, inovação e social.  Na área da sustentabilidade, a Praça compromete-se a promover e apoiar apenas os produtores que pratiquem uma produção artesanal, sustentável e biológica, revelando assim o respeito pelos diferentes ciclos das estações e pela promoção de práticas de economia circular e minimização de desperdício. No campo do compromisso social, existirá uma integração com a comunidade do Beato em conjunto com outras entidades públicas e o lançamento de uma Bolsa de Refeições Social para possibilitar o acesso a refeições por parte de famílias carenciadas da região. Já no que se refere à Inovação, o espaço contará com várias hortas urbanas que vão servir as diferentes cozinhas bem como os próprios clientes.

No que se refere ao projeto de reabilitação, este assinado pelo Gabinete de Arquitetura Broadway Malyan Portugal, os dois edifícios adjudicados à Praça vão manter a sua traça original e vão estar integrados num único espaço, criando uma dinâmica entre ambos e uma centralidade na sua passagem. Com um investimento que ronda os 3 milhões de euros, a Praça estima criar 100 postos de trabalho diretos e um impacto relevante ao nível das micro e pequenas empresas produtoras portuguesas.

Perfil do Promotor

Cláudia Almeida e Silva é a fundadora do conceito A Praça. Traz na bagagem mais de 15 anos de experiência na área do retalho e a convicção de que o setor do retalho alimentar deverá andar de mãos dadas com o da restauração. Para a fundadora, o consumidor atual procura na sua experiência de compra mais do que simplesmente produtos em prateleiras. Por isso, reforça a importância de “criar um espaço informal de convívio para provar, comer, comprar e aprender ao mesmo tempo” no mesmo espaço onde simultaneamente “se reúnem produtos de grande qualidade, sustentáveis e acessíveis a todos, mostrando a riqueza da nossa biodiversidade e dos nossos produtos desde o azeite, à charcutaria, ao queijo, vinho ou fruta”. A Praça é então o espaço que materializa a sua visão e que funde o universo da restauração com a venda do respetivo produto para que o cliente possa antes de comprar, conhecer e experimentar, assumindo-se como o primeiro Marketplace dedicado à excelência dos nossos produtos e do saber das nossas gentes”, conclui.

Para dar vida à Praça, a equipa viajou por vários países para conhecer outros pontos de venda. Já em Portugal, fizeram uma viagem pelas diversas regiões para conhecer os pequenos produtores, os seus métodos e sobretudo as suas histórias. Nesta redescoberta pelos produtos, cheiros e sabores, constataram a importância de dar protagonismo ao ingrediente e ao produto e dar voz à paixão de quem os faz. Dessa pesquisa foram referenciados, numa primeira fase, mais de 140 produtores e cerca de 700 produtos que estão agora disponíveis na Praça Digital. A plataforma Praça Digital – que faz entregas a casa nos concelhos de Lisboa, Cascais, Sintra e Setúbal -, surge antes da abertura do espaço e tem com o propósito urgente de reforçar a identidade do que é nacional e levar os portugueses a consumir o que é português a um preço acessível.